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Homenagem aos romanos
30 Novembro 2010, in OJE
Vinho
O substantivo próprio Graco faz, só por si, viajar no tempo. Não é nome que se tenha hoje em dia ou, pelo menos, não é nome comum. No século II antes de Cristo, dois irmãos tribunos e oradores de nome Graco marcaram a cena política romana. O grande motor da sua intervenção ligava-se ao aproveitamento generalizado das terras conquistadas por parte da aristocracia romana.
É esta ligação à agricultura e à presença romana na terra conquistada da Hispânia que se dá o nome a um dos novos vinhos alentejanos. Os produtores assumem que querem honrar a presença latina na Herdade Sousa da Sé, situada a seis quilómetros de Évora.
Não tão mediáticos quanto os romanos que dão nome ao seu vinho, estes vitivinicultores não são de todo anónimos. La-Salete Fernandes e Jaime Antunes, os produtores estiveram ligados ao Diário e Semanário Económico, e Paulo Laureano é provavelmente o mais mediático e ubíquo enólogo do Alentejo. Os novíssimos vitivinicultores estreiam-se com uma colheita de branco e outra de tinto. Mas aqui e agora o que conta é o rubro. Respeita à colheita de 2008 e estagiou em barricas de carvalho francês até ser engarrafado em 2009.
Alicante Bouschet, Touriga Franca, Syrah e Petit Verdot são as castas que lhe dão forma no lote. É um tinto robusto de cor densa granada. De aroma forte, nele se notam a presença de notas de compota de ameixa preta e alguma especiaria. Na boca é guloso, macio e muito fácil de apreciar. O seu travo perdura.
Nesta região que em tempos foi cerealífera têm-se multiplicado os empreendimentos vitivinícolas com diferentes filosofias e dimensões. O Graco pretende chegar aos segmentos de topo e médio alto não se apresentando nas grandes superfícies comerciais mas em restaurantes e estabelecimentos de referência.
Sabe-se que os romanos já produziam vinho no Alentejo – terão mesmo sido eles a introduzir a cultura nas terras que hoje são Portugal. Porém, o vinho dos ocupantes de há séculos pouco terá a ver com os néctares que hoje se produzem por cá. Por aqueles anos, os vinhos bebiam-se traçados com água, sendo sinal de barbarismo não o fazer. Hoje preferimo-los mais redondos e untuosos. O mercado mostra as preferências. O Graco Tinto apresenta-se com 14º o que nos tempos que correm não é incomum.
Mudam-se os tempos… fica a memória dos Gracos.



